Amanhã será o dia em que ofereceremos ao público a história destes três que somos todos nós. A história destes três que vivem uma vida neurótica como a nossa. E é preciso termos amor por eles. E sermos cruéis. Como o Heiner Muller: "eu tenho de ser cruel para ser bom".
Temos de compreender estas personagens. Não as podemos julgar. Assim como não queríamos que nos julgassem na nossa vida vazia e estúpida. A solução está na acção. Mudança. Evolução. E para isso é preciso esperança. Para isso é preciso beber muitas chávenas de café a olhar para um qualquer arco-íris.
A minha esperança é que um dia se possa trabalhar em Portugal no teatro com condições dignas para todos. Trabalhar e saber que o nosso trabalho vai servir ao nosso povo e à cultura portuguesa. Sentir que o nosso trabalho tem impacto nas pessoas. Sentir que o teatro é o local "onde a faca corta, onde a verdade dói, onde as paredes se desmoronam em cima de mentiras e hipocrisia, onde a condescendência de mentes tacanhas é afugentada para sua grande desonra, onde a degradação e o veneno da publicidade e do consumismo são rejeitados franca e abertamente, onde os pusilânimes não se atrevem a pôr o pé, onde as palavras desconfortáveis e difíceis são ditas sejam quais forem as consequências, onde a inteligência e o humor escarnecem do medo". E não o exílio.
Fiquem com algumas fotografias. Belas. Mal consigo esperar pelas outras.

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