A peça de Gregory Motton apresenta-se como uma sátira ao capitalismo enquanto organização económica que leva as pessoas a um tipo de existência regulada apenas pela necessidade de consumir. Essa necessidade conforma uma lógica de comportamentos e um universo moral que, na óptica de Motton - e não apenas dele -, acaba por dissolver a possibilidade de equilíbrio e de justiça na vida das sociedades humanas, Gengis é uma espécie de "remake" de Ubu, um Ubu hesitante entre a tirania e a incapacidade de controlar aqueles que, de facto, o manipulam; e os manipuladores têm, com frequência, uma cara mais humana do que Ubu ou do que a sua natureza (de manipuladores) deixaria pensar. Mas talvez isso seja também a natureza humana. O espectáculo, encenado por Pedro Marques, é marcado por um grande rigor na direcção e no trabalho dos intérpretes - Dinarte Branco, Teresa Sobral e Teresa Tavares são notáveis. Um aspecto argumentativo e algo demonstrativo percorre, contudo, o espectáculo, imprimindo-lhe um tom um pouco pesado, previsível e demasiado longo.
João Carneiro in Expresso 12 de Julho de 2008.
João Carneiro in Expresso 12 de Julho de 2008.

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