A Titi, na neurose da obsessão do "tudo na mesma", fascizóide, veste-se de ditadores, exorciza a sua falsa consciência, monta-se nas costas dos poderosos para se aproximar descarada e interesseiramente deles. Veste-se de Super-Mulher e de bailarina havaiana, orgulhosa do multiculturalismo falso, cultiva os nacionalismos da ordem laranja, gosta dos beatles e de nat king cole, veste-se e despe-se, constrói-se e reconstrói-se a cada dia que passa. Inócua e perigosa.
"O que é isso que tem vestido, Titi?" é a frase mais pronunciada por Gengis. A insanidade é tal que ele próprio adquire o tique, "Que tal o meu disfarce, Titi? Tentei disfarçar-me de filipino, que tal estou?"
- "Mal, está tudo mal."
Ela é que percebe de roupa. Ela é que sabe.
Também o Tio veste roupas muita fixes e bem desenhadas nas Filipinas. Mas nunca saberemos o que são. Serão as mesmas, será que as mesmas roupas num contexto diferente não ganham um significado diferente? Foi a Titi que também já o conquistou. A fábrica é da Titi? E o Sanilav? E o Café-Arco-íris? E os Baraços do Gengis?
Gengis acaba a falar consigo próprio. Com um boneco. Apaixona-se por um boneco. Apaixona-se por si próprio. Gengis acaba desfeito.
Será que o tio lhe insufla esperança com o café final? A perplexidade de Gengis é a nossa. Estaremos também nós desfeitos por termos assistido à ascensão e queda de um projecto de pessoa?
Conseguimos seguir o raciocínio doentio do lucro e dos impostos, do crescimento e da ganância? Vimos dentro deles reflectido algumas das nossas preocupações, medos, frustrações? Reconheceremos nesta família neurótica alguns traços da nossa vida?
É só essas perguntas que pedimos que partilhem connosco. É pedir muito? Não sei.

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