O projecto Fora de Cena, a Culturgest e o Festival de Teatro de Almada apresentaram "Gengis Entre os Pigmeus" do dramaturgo britânico Gregory Motton nos dias 4, 5, 6, 8, 9 e 10 de Julho de 2008 em Lisboa na Culturgest, integrado no programa do Festival de Almada.
Com Dinarte Branco, Inês Nogueira, Pedro Marques, Teresa Sobral e Teresa Tavares. Cenários e figurinos de Luís Mouro.
Teatro Gil Vicente, em Coimbra, a 17 de Julho.

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton
Foto Pedro Polónio. Julho 2008.

21 de Junho de 2008

FIGURINOS

Uma coisa é certa. O espectáculo depende em grande medida dos figurinos. O texto pede isso. Estamos conscientes.
A Titi, na neurose da obsessão do "tudo na mesma", fascizóide, veste-se de ditadores, exorciza a sua falsa consciência, monta-se nas costas dos poderosos para se aproximar descarada e interesseiramente deles. Veste-se de Super-Mulher e de bailarina havaiana, orgulhosa do multiculturalismo falso, cultiva os nacionalismos da ordem laranja, gosta dos beatles e de nat king cole, veste-se e despe-se, constrói-se e reconstrói-se a cada dia que passa. Inócua e perigosa.

"O que é isso que tem vestido, Titi?" é a frase mais pronunciada por Gengis. A insanidade é tal que ele próprio adquire o tique, "Que tal o meu disfarce, Titi? Tentei disfarçar-me de filipino, que tal estou?"
- "Mal, está tudo mal."
Ela é que percebe de roupa. Ela é que sabe.
Também o Tio veste roupas muita fixes e bem desenhadas nas Filipinas. Mas nunca saberemos o que são. Serão as mesmas, será que as mesmas roupas num contexto diferente não ganham um significado diferente? Foi a Titi que também já o conquistou. A fábrica é da Titi? E o Sanilav? E o Café-Arco-íris? E os Baraços do Gengis?

Gengis acaba a falar consigo próprio. Com um boneco. Apaixona-se por um boneco. Apaixona-se por si próprio. Gengis acaba desfeito.
Será que o tio lhe insufla esperança com o café final? A perplexidade de Gengis é a nossa. Estaremos também nós desfeitos por termos assistido à ascensão e queda de um projecto de pessoa?
Conseguimos seguir o raciocínio doentio do lucro e dos impostos, do crescimento e da ganância? Vimos dentro deles reflectido algumas das nossas preocupações, medos, frustrações? Reconheceremos nesta família neurótica alguns traços da nossa vida?
É só essas perguntas que pedimos que partilhem connosco. É pedir muito? Não sei.

Sobre o Projecto

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