O projecto Fora de Cena, a Culturgest e o Festival de Teatro de Almada apresentaram "Gengis Entre os Pigmeus" do dramaturgo britânico Gregory Motton nos dias 4, 5, 6, 8, 9 e 10 de Julho de 2008 em Lisboa na Culturgest, integrado no programa do Festival de Almada.
Com Dinarte Branco, Inês Nogueira, Pedro Marques, Teresa Sobral e Teresa Tavares. Cenários e figurinos de Luís Mouro.
Teatro Gil Vicente, em Coimbra, a 17 de Julho.

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton
Foto Pedro Polónio. Julho 2008.

14 de Maio de 2008

ESPERANÇA AMARGA COMO O CAFÉ

Gengis é um miúdo que se esqueceu de crescer. Vive só. A mulher deixou-o porque odiava a vida que ele levava. A ganância fomentada pelo dinheiro comeu-o por dentro. Ele vive a solidão dos poderosos. A solidão daqueles que excluem os outros à força da sua vã glória. À força de acreditar tanto naquilo que planearam para ele, deixou de saber o que queria para a sua vida.
O Tio e a Titi acentuam tragicamente a sua vertigem. Eles constroem um mundo protegido do exterior, onde as vozes e os ecos são apenas rastos do passado, onde as pessoas reais deixaram de existir. Só há súbditos, objectos ou inimigos.
Gengis vive obcecado por uma utopia, por um desejo de fazer bem, mas a telenovela da neurose instala-se a cada oportunidade absurda. O que é preciso é fazer lucro e criar impostos e comprar, comprar, comprar. E esperar pelo Natal - a época de Brandura e Ganância; o Festival do Bode Expiatório Divino.
Quando o teatro explode no final da peça e ficamos a beber a nossa chávena de café Arco-Íris, a esperança que levamos para casa é amarga como a vida que vivemos. E podia ser de outra maneira?

Sobre o Projecto

A minha fotografia
contacto: pmsmarques@netcabo.pt

A CONTAR...