O projecto Fora de Cena, a Culturgest e o Festival de Teatro de Almada apresentaram "Gengis Entre os Pigmeus" do dramaturgo britânico Gregory Motton nos dias 4, 5, 6, 8, 9 e 10 de Julho de 2008 em Lisboa na Culturgest, integrado no programa do Festival de Almada.
Com Dinarte Branco, Inês Nogueira, Pedro Marques, Teresa Sobral e Teresa Tavares. Cenários e figurinos de Luís Mouro.
Teatro Gil Vicente, em Coimbra, a 17 de Julho.

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton
Foto Pedro Polónio. Julho 2008.

20 de Março de 2008

OS DOIS PRIMEIROS ENSAIOS



No sábado o João Didelet disse-me que ia ser operado a uma pedra na vesícula em Maio. Isso obrigaria a uma paragem de duas três semanas para convalescença. Era impossível contarmos com ele. Decidimos que seria melhor pensarmos noutra pessoa. Eu pensei em homens primeiro, mas depois detive-me na Teresa Sobral. Pareceu-me perfeita. Telefonei-lhe logo e ela aceitou. Pode parecer estranho mas o facto de ter mudado de um homem para uma mulher fez-me sentido. O texto pede isso. Essa indiferença de géneros. A personagem não muda de género, mas o actor pode mudar. Afinal estamos no teatro. Isto abriu a dramaturgia de um modo bastante interessante.
Fizemos dois ensaios e uma nova distribuição, ontem à tarde e hoje de manhã, no pequeno auditório da Culturgest. Ontem lemos o texto, brainstormeámos um bocado sobre figurinos e cenário. Temos frigoríficos ou não? De onde é que vêm estas personagens? Percebemos que o texto é tortuoso e enigmático, que vamos ter de escavar bastante para o perceber completamente e o passar às pessoas.
As ideias de vertigem e neurose, estão sempre presentes, assim como o surrealismo.
Aquecemos, imaginámos um castelo/forte/bloco-de-escritórios-grande-como-a-merda e a seguir improvisámos toda a peça, com a imaginação que tínhamos fabricado. Tentámos contar a história pelas nossas palavras e silêncios, tensões e harmonias. Jogámos com isso, puxámos tudo até um extremo ridículo, soube-nos bem mas podíamos radicalizá-lo mais.
Depois pegámos mesmo no texto do Motton. As coisas ficaram logo mais claras. A primeira cena é de uma natureza e a segunda é de outra, identificámos a diferença de tom. As ideias que íamos tendo adaptavam-se ao texto e o texto jogava ao gato e rato com as nossas ideias. Foi uma primeira abordagem. Deu luta.

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