O projecto Fora de Cena, a Culturgest e o Festival de Teatro de Almada apresentaram "Gengis Entre os Pigmeus" do dramaturgo britânico Gregory Motton nos dias 4, 5, 6, 8, 9 e 10 de Julho de 2008 em Lisboa na Culturgest, integrado no programa do Festival de Almada.
Com Dinarte Branco, Inês Nogueira, Pedro Marques, Teresa Sobral e Teresa Tavares. Cenários e figurinos de Luís Mouro.
Teatro Gil Vicente, em Coimbra, a 17 de Julho.

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton
Foto Pedro Polónio. Julho 2008.

9 de Fevereiro de 2008

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS #2

Gengis abre a peça de gravata ao pescoço. Pendurado como se enforcado. Mas é ilusão. A Titi bebe café, junto a ele. O Tio anda a angariar votos. (Na foto, o cão da Titi numa comemoração do dia de São Patrício...)

GENGIS
: Pois, não acho que tenha passado as minhas ideias como deve ser, está a perceber.
TITI: Oh não!
GENGIS: Ah sim! Não consegui dizer aquilo que queria... claramente. Desta vez, ameaçá-los-ei com subtileza até implorarem clareza e atormentá-los-ei com clareza até exigirem subtileza. Vou concordar com todos e todos concordarão comigo. Serei rico e a Titi será minha porta-voz. Promoções para todos. Hurrah!
TITI: Hurrah! Que grande promoção!
GENGIS: (observa o TIO que está, hesitante, à porta) Tio, o que é que anda aí a fazer de um lado para o outro à porta. Venha já para aqui! Não há tempo para nos sentirmos rejeitados. Estamos abertos a tudo. Vamos começar tudo de novo.
TIO: Isso é música para os meus ouvidos surdos, uma visão para os meus olhos em chaga, uma nuvem que sai do meu eclipse, uma urtiga removida do meu chinelo, petróleo tirado do meu petroleiro inchado, todos, avé à Senhora Jesus!
GENGIS: Está bêbado, Tio.
TIO: Estive a comemorar o teu regresso ao poder. Que emoção. Meu Deus, como se aqueceram no teu quente sorriso de calor as pessoas; tenham cuidado, é um homem de contrastes; Tanto está quente como húmido...
GENGIS: Tenho um anúncio a fazer; sabia que o Napoleão disse que a Inglaterra era uma nação de ladrões de lojas (sic) –
TITI: Disse? Que lata!
GENGIS: Bom, vou acabar com esse estigma de uma vez por todas; vamos ser uma nação de lambões de lojas.
TITI: Queres dizer –
GENGIS: Sim, vamos modernizar a loja.
TIO e TITI: Modernizar a loja?
GENGIS: Sim, destruam o balcão.
TITI: Mas já destruímos o balcão.
GENGIS: Então destruam outra vez. Partam as janelas antigas.
TIO: Já fizemos isso. Há anos.
GENGIS: Então façam outra vez. Vai tudo abaixo! Deitem as paredes abaixo. Quero um espaço-aberto, um open-space. Quero preservar. Modernizar ou morrer!
TIO: Mas Gengis, não sobrou nada. Já desapareceu tudo há muito tempo.
TITI: O que é que queres dizer com modernizar?
TIO: Feito para ser mais rápido, é isso que queres dizer?
GENGIS: Bom, pois, velocidade ou, ou, ou........ llllllllllucro.
TIO: (rápido) Oh, já percebi o que estás a dizer! Pois, não há nada mais moderno. Lucro.

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