O projecto Fora de Cena, a Culturgest e o Festival de Teatro de Almada apresentaram "Gengis Entre os Pigmeus" do dramaturgo britânico Gregory Motton nos dias 4, 5, 6, 8, 9 e 10 de Julho de 2008 em Lisboa na Culturgest, integrado no programa do Festival de Almada.
Com Dinarte Branco, Inês Nogueira, Pedro Marques, Teresa Sobral e Teresa Tavares. Cenários e figurinos de Luís Mouro.
Teatro Gil Vicente, em Coimbra, a 17 de Julho.

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton

GENGIS ENTRE OS PIGMEUS de Gregory Motton
Foto Pedro Polónio. Julho 2008.

24 de Dezembro de 2007

REUNIÃO DO DIA 23 DE DEZEMBRO

Mais uma reunião ontem. Desta vez cenografia e figurinos. Fomos lendo a peça e parando sempre que nos surgia ideias de cenário ou encenação, ou ambas, ou whatever. Éramos quatro. O Luís, eu, a Teresa Tavares (que vai representar a Annie, a Penny e a Vicky do Emagrecimento) e a Andreia que fará a produção executiva.
Trabalhámos em cima da ideia inicial de ter tralha em cima do palco. Falámos de padrões e de como queremos que a arquitectura particular do palco ecoe no cenário. Olhámos para a planta, inventámos um palquinho para a Titi, marcámos uma falsa saída de cena, trabalhámos na iluminação, não esquecemos a ideia de ter 15 frigoríficos em cena.
Pensámos no que poderão ser os vários fatos que a Titi veste e que são sugeridos pelo Gregory Motton. Do tipo: mistura de "Bailarina Havaiana e Membro da Ordem Laranja" ou mistura de "Stalin com Mao Tsé-Tung". Quais são os elementos a preservar destes ícones? O que dizem eles?
Aproveitei para fazer mais correcções na tradução. Tornar o texto mais conciso.
Foi uma boa reunião. As ideias estão agora a ecoar nas nossas cabeças. Lá para Fevereiro reunimos outra vez.
Até lá, bom ano a todos.

22 de Dezembro de 2007

A PAIXÃO DA TITI

Desde que ficou sem o cão. Quer dizer. Desde que o Tio decidiu... fazer aquela coisa horrível ao seu adorável companheiro, à sua máquina de cagalhões, desde esse dia que a Titi ficou desgostosa. O trabalho com o Gengis era muito entediante, as ordens eram sempre contraditórias e ela ficava muito confusa. Por isso decidiu dedicar-se à música. A música sempre fora o seu grande amor. É claro que o Tio era o seu amor consumível e consumável, mas a música era o amante, era aquela coisa que não se conseguia definir e que no entanto reunia tantas coisas... belas...
Inscreveu-se numa escola de canto. Aprendeu com os melhores professores e agora carrega sempre atrás dela um gravador de cd's onde estuda as músicas. A vida dela é quase um karaoke. Poucas coisas a afastam do seu mundo de sonho: os brinquedos fofinhos cor de rosa são uma delas. Roupas novas a outra. Principalmente roupas que lembrem ditadores sanguinários porque... o nome do Gengis sempre lhe soou muito bem...
A Titi tem um gosto musical bastante eclético: tanto pode ouvir Kurt Weill (a sua última tara é os Sete Pecados Mortais) como Elis Regina ou música italiana dos anos 70 - Renato Zero - ou mesmo Ella Fitzgerald. Para ela é tudo boa música. E cá para mim até tem razão.
O problema é a inconveniência que isso causa aos vizinhos. Não que a família tenha muitos vizinhos chatos mas porque o Gengis já está farto e o Tio, embora aprecie até certo ponto, basicamente, também já está farto das cantorias. Os dois, porém, são bastante comedidos e sabem que a ofenderiam de morte se mostrassem de alguma maneira o seu desagrado. E a Tia é uma menina muito sensível. Por isso abstêm-se de quaisquer comentários.
A Titi sabe que o Tio tem outras mulheres, mas não se importa. Afinal ela também tem outro amor: a música.

12 de Dezembro de 2007

A ESCAPADELA DO TIO

O tio do Gengis, aborrecido das cantorias da Titi, decidiu divertir-se com a amiga de uma amiga que conhecera da última vez que esteve na República do Daguestão. Esta verdadeira caucasiana conseguia dar-lhe prazer várias vezes na mesma noite. Coisa que nunca acontecia com a titi.
O tio recorria a estas escapadelas só quando estava mesmo desesperado. Mas gostava delas. Às vezes desesperava-se facilmente só para poder ir mais depressa ter com aquela mulher, meio balcânica, meio chique da França.
Como é que ele podia esquecer aquele chapéu coquette por cima de uma lingerie de rendas transparente?
E o modo afectado com que pegava no espelho para ajeitar o colar no colo rosado?
Ah, que volúpia. A titi nunca podia entender isto. Aquela mania de se vestir de maneiras completamente estapafúrdias quando o que interessava era que as pessoas se despissem... isto ela nunca poderia entender...
Mesmo assim, a titi era insuperável a cantar.

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